quarta-feira, março 12, 2014

Miss Swaps (e o Governo) vista de fora


A Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu decidiu investigar a actuação da troika nos países resgatados. Liem Hoang Ngoc, eurodeputado francês, é o relator do relatório que avalia as operações da troika. Eis um excerto da entrevista que hoje dá ao Diário Económico:
    - O eurodeputado Diogo Feio deu a entender que o Governo português não quis criticar a 'troika' devido à situação actual de Portugal - o programa de assistência financeira aproxima-se do fim e o pais está a negociar o próximo passo. Portugal não teve margem para responder de outra forma?
    - O meu colega Diogo Feio deu importantes contributos para o inquérito. A sua ajuda foi fundamental para consolidarmos as nossas críticas, quer à 'troika' quer aos programas implementados, e a prova de que este inquérito do Parlamento Europeu pode evitar os perigos do partidarismo. Discorda, contudo, da perspectiva da ministra Maria Luís Albuquerque que, genuinamente, não vê a 'troika' como um problema. Na sua resposta diz que a 'troika' é bem-vinda, pois constitui uma oportunidade para implementar a sua agenda política, isto é, cortar nos salários e na despesa pública. Da mesma forma que não levanta questões sobre a legitimidade democrática e a 'accountability' do programa de assistência, descartando a necessidade de um aval por parte do Parlamento.

    - Ficou admirado com esta perspectiva por parte da ministra das Finanças portuguesa?
    - A ministra das Finanças não é a única na Europa a defender esta posição. Os conservadores alemães também defendem esta linha de acção, assim como a maior parte dos deputados do Partido Popular Europeu. Um Governo diferente, com uma agenda política progressista e uma visão progressista da democracia, teria governado Portugal de outra maneira, tal como teria respondido ao nosso inquérito de uma forma totalmente diferente.

    - Considera que o FMI e a Comissão Europeia tinham diferentes perspectivas sobre as medidas impostas aos países intervencionados?
    - Essa é uma das principais conclusões do nosso inquérito. O FMI não só tinha uma perspectiva diferente sobre a austeridade como a deu a conhecer aos restantes membros da 'troika' numa fase relativamente inicial, mais concretamente a 10 de Maio de 2010, no caso da Grécia. O FMI defendeu a reestruturação da dívida grega e o financiamento da assistência bancária na Irlanda através de fundos retirados aos proprietários dos bancos. Também propôs que a redução do défice fosse faseada ao longo do tempo, por forma a acautelar o crescimento, em todos os Estados- membro. A Comissão Europeia e o Banco Centrai Europeu [BCE] não subscreveram esta posição. O BCE opôs-se à reestruturação da dívida grega, rejeitou um 'bail in' na Irlanda e defendeu sempre uma austeridade particularmente dura. Na ausência de deliberações democráticas transparentes, acabou-se por implementar as políticas erradas.

5 comentários :

Baltazar Correia Garção disse...



São eles os maiores culpados! São a Comissão Europeia e o BCE que deveremos sentar no banco dos réus a acusar do crime de destruição das Economias do Sul da Europa e de pôr em perigo a sobrevivência do Euro. Haja um Tribunal (e Tribunos!) para tal feito.

Anónimo disse...

O que é estranho nestas declarações é que, sendo este Sr. francês e pelo visto um progressista, mantenha a tese de que um governo progressista teria uma abordagem diferente perante a assistência financeira, sobretudo, quando o seu governo francês, progressista, sem estar sob assistência financeira, enveredou recentemente pela austeridade.

Anónimo disse...

Subscrevo o mesma afirmação do Sr. Baltazar Correia, mas acrescento para além dessas 2 entidades, o governo português juntamente com o Acabado Silva que estão a destruir o País a vende-lo a retalho.

Realmente temos pessoas à frente do País que nem conseguem lesar pelo interesse do País, pelos cidadãos do respectivo Povo. Quem é ignorante, burro, incompetente aceita tudo sem contestar ou seja, os Portugueses só tem na politica medíocres, desde do Durão Barroso, Vitinho Gaspar, Constâncio, tudo pessoas sem grande prestigio para desempenhar os cargos que ocupam. Mas tudo na vida tem o seu preço, lesam um povo inteiro para servir o grande Capital.

Portugueses abram os olhos nas próximas eleições, continuam a votar, portinhas e coelho que estamos bem servidos e claro aguentamos até morrer à fome.

Triste FADO, manter os governantes actuais.

Fernando

Irrigador disse...


O que é estranho no comentário anónimo das "12:20 da tarde" é que, sendo este Sr. português e pelos vistos um conservador, mantenha a tese de que o Governo Sócrates foi "despesista" e teve uma abordagem "irresponsável", perante a necessidade de assistência financeira, quando esse Governo português, progressista, sem estar sob assistência financeira, tinha enveredado oportunamente pela austeridade. Tal como agora faz, por precaução, o Governo francês. Mas por cá a teoria então era a de que "não se podia pôr um País a pão a água por precaução"...

E a dos PEC's era uma austeridade moderada e bem medida, que poderia ter evitado o "napalm" fiscal que vivemos e a destruição do Estado Social que nos esmaga. Só que, enquanto isso ainda era possível, os "patriotas", que apenas ansiavam pelo Pote, mostravam muito pouco interesse por "consensos", por aceitação de (pequenos) "sacrifícios" e pela "salvação nacional"!

Agora pedem-no-los, de joelhos em terra. Ah, JÁ QUEREM? Vão tê-los mas é RASPAS!

Baltazar Correia Garção disse...


Bom, eu disse os maiores culpados. A nível europeu. Claro que também nós temos grandes culpados a nível doméstico, como disse e muito bem o Fernando, e precisamente por eles terem sido os executantes (e portanto cúmplices!) desses maiores culpados.

E, que não se iludam: também a eles espera o julgamento popular, de uma forma, ou de outra. É escolherem...